DocPoint Lisboa 2012 – Ciclo de Cinema Documental Finlandês

O Instituto Ibero-Americano da Finlândia apresenta em Lisboa, em parceria com o Goethe-Institut Portugal, um Ciclo de Cinema Documental Finlandês, entre os dias 15 e 17 de Março.

Um conjunto de documentários finlandeses viaja a Lisboa, onde os filmes serão exibidos no Goethe-Institut (Instituto Alemão), nos dias 15, 16 e 17 de Março de 2012. DocPoint Lisboa 2012 – Ciclo de Cinema Documental Finlandês é organizado pelo Instituto Ibero-Americano da Finlândia, em parceria com o Goethe-Institut Portugal e DocPoint – o Festival de Cinema Documental de Helsínquia, cuja directora artística Erja Dammert apresentará todos os documentários em Lisboa. A organização do evento conta também com o apoio da Embaixada da Finlândia em Lisboa, da Fundação do Cinema Finlandês (Suomen elokuvasäätiö) e da Apordoc – Associação pelo Documentário.

Neste ciclo mostra-se filmes documentais sobre temas bem diversos. A série de filmes, seleccionada pelo Festival DocPoint, contém várias verdadeiras pérolas do cinema documental finlandês, obras de jovens realizadores e sucessos que ganharam prémios e popularidade em festivais internacionais. Os filmes oferecem ao público uma oportunidade rara para conhecer e observar o humor, a melancolia e características típicos dos finlandeses, além de apresentar este país nórdico num nível mais geral.
Programa
15.3.2012 (quinta-feira) – 19h00
Abertura do ”DocPoint Lisboa 2012 – Ciclo de Cinema Documental Finlandês”, por Joachim Bernauer, Director do Goethe-Institut Portugal, Erja Dammert, Directora Artística do Festival DocPoint de Helsínquia, e Mika Palo, Representante em Portugal do Instituto Ibero-Americano da Finlândia

COMO SE APANHA FRUTOS SILVESTRES (Miten marjoja poimitaan), de Elina Talvensaari, 2011, 19 min + CRIANÇAS DE GUERRA (Sotalapset), de Erja Dammert, 2003, 93 min (com a apresentação deste último filme pela realizadora!) Conversa com Erja Dammert sobre as ênfases e desafios actuais e passados do cinema documental finlandês, com a participação de Miguel Valverde, Director/Programador do IndieLisboa – Festival Internacional do Cinema Independente

Como Se Apanha Frutos Silvestres (Miten marjoja poimitaan)
Realização: Elina Talvensaari, 19 min, Finlândia, 2010, DVD
Argumento: Mauro Fariñas & Elina Talvensaari
Fotografia: Joonas Pulkkanen
Montagem: Markus Leppälä
Som: Pinja Kuusela
Produção: Joonas Pulkkanen & Elina Talvensaari / Universidade Aalto

A cinematografia de “Como Se Apanha Frutos Silvestres” mostra uma precisão que vai aos milímetros. O filme encanta com a sua destreza em compor as luzes e cores da floresta. No meio da vegetação cruzam-se os apanhadores finlandeses e estrangeiros de frutos silvestres – e a convivência entre eles nem sempre é um mar de rosas. Eles levam os empregos e agora até os frutos silvestres das nossas florestas… Há desconfiança em ambos os lados. Recentemente, a apanha de frutos silvestres na Finlândia recebeu admiração também no IDFA, o maior festival de cinema documental do mundo.
Crianças de Guerra (Sotalapset)
Realização: Erja Dammert, 80 min, Finlândia, 2003, DVD
Fotografia: Marita Hällfors
Montagem: Jukka Nykänen
Som: Heikki Innanen
Produção: Ulla Simonen

Ser um bebé, ter um, dois, três ou dez anos de idade. Não é fácil ser uma criancinha sob a ameaça da guerra e da fome. Durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de crianças finlandesas foram evacuadas aos países vizinhos da Escandinávia. O filme “Crianças de Guerra” descreve a viagem destas crianças ao grande desconhecido: a Suécia. A visita poderia durar uns meses, vários anos, ou uma vida inteira. O transporte de quase 80,000 crianças finlandesas foi a maior evacuação de crianças de sempre no mundo. Comboios, barcos e aviões transportavam crianças quase diariamente de um país ao outro. Neste filme, as antigas crianças de guerra contam as suas recordações. Falam sobre uma língua estranha, uns pais novos, e sobre o regresso a uma pátria gravemente debilitada por uma guerra longa. Os materiais de arquivo únicos mostram-nos olhares às vidas das crianças. O público pode entrar no mundo das crianças e na capacidade de sobrevivência delas.

16.3.2012 (sexta-feira) – 19h00
O PEQUENO ANIMAL DA NEVE (Lumikko), de Miia Tervo, 2009, 19 min + ETERNAMENTE TEU (Ikuisesti sinun), de Mia Halme, 2011, 77 min  Conversa com Erja Dammert sobre a caracterização dos ”finlandeses tristes e deprimidos” e da mentalidade finlandesa no cinema documental finlandês

O Pequeno Animal da Neve (Lumikko)
Realização: Miia Tervo, 19 min, Finlândia, 2009, DVD
Argumento: Miia Tervo
Fotografia: Päivi Kettunen
Montagem: Okku Nuutinen
Som: Jussi Rantala
Produção: Malka Mahsa
Outras informações: animação Ami Lindholm

Uma cidadezinha no Norte. Ninguém com quem se pudesse conversar. Nenhum outro local para frequentar além da casa. E essa também na periferia. E lá também sozinha. O cigarro sempre a deitar fumo. A garrafa que se esvazia torna-se num vaso novo. Roupa lavada congelada pelos graus negativos. O rádio com o programa nocturno Yölinja. O apresentador Pekka Sauri. Alguém que fica acordado contigo. Alguém com quem se pode conversar. Uma oportunidade para receber apoio, consolação, ajuda. O Pequeno Animal da Neve é uma homenagem ao antigo programa de rádio Yölinja (“Linha da Noite”, 1986 – 2002). Um lembrete de que às vezes temos saudades de pessoas como Pekka Sauri para dizer as verdades frontalmente. Para acordar e agitar. Mas sobretudo para escutar. Para mostrar que no meio da escuridão há um coração e uma vida para viver. Este filme é uma mistura magnífica e sem limites claros entre a ficção e o documentário. Trata-se de uma combinação visualmente bela de fotomontagem, áudio-arte, animação e materiais de arquivo. Leva-nos a pensar sobre quantas raparigas mesmo neste momento continuam nos seus esconderijos, sem ajuda. Sem ninguém que as escutasse.
Eternamente Teu (Ikuisesti sinun)
Realização: Mia Halme, 75 min, Finlândia, 2011, DVD
Fotografia: Peter Flinckenberg & Anssi Leino
Montagem: Samu Heikkilä
Som: Kirka Sainio
Produção: Sonja Lindén / Avanton Productions Oy

“Eternamente Teu” retrata a vida de crianças cuja custódia foi retirada aos pais. A realizadora mostra tanto as crianças como os adultos a falarem abertamente sobre os seus sentimentos e dificuldades. Fica evidente a grande necessidade de falar e ser ouvido. Um dos episódios conta a história de dois irmãos, de sete e nove anos, quando eles, após cinco anos em custódia alheia, regressam à casa da mãe biológica deles. Estas histórias raramente terminam bem, pois apenas uma pequena percentagem das crianças regressa para a sua casa biológica para ficar. Uma adolescente que viveu oito anos fora da sua casa pede permissão ao seu pai preso para mudar de apelido. Sem apontar culpados, o filme apresenta um comentário social sobre a situação das crianças cuja custódia foi retirada aos pais numa sociedade em que, às vezes, se perde o bem dos mais pequenos na turbulência burocrática. A infância é uma fase importante da vida e ser pai ou mãe pode parecer uma tarefa muito exigente. Afinal, cada um quer encontrar um lugar onde possa sentir-se em casa e ser genuinamente o próprio. Amar e ser amado.
17.3.2012 (sábado) – 19h00
ENTRE SONHOS (Between Dreams), de Iris Olsson, 2009, 11 min + O VAPOR DA VIDA (Miesten vuoro), de Joonas Berghäll & Mika Hotakainen, 2010, 81 min
Conversa com Erja Dammert sobre a sauna finlandesa e a nudez, e o interesse pela vizinha Rússia, no cinema finlandês – Encerramento do ”DocPoint Lisboa 2012”

Entre Sonhos (Between Dreams)
Realizadora: Iris Olsson, 11 min, França, Finlândia, Rússia, 2009, DVD
Argumento: Iris Olsson
Fotografia: Natasha Pavlovskaya
Montagem: Dimitri Tolios
Som: Eugene Goryainov
Música: Florian Krebs
Produção: Matthieu Darras

As primeiras horas da manhã são transluzentes. Quando o barulhento comboio Trans-Siberiano atravessa a Rússia, alguns dos passageiros estão a dormir, enquanto outros estão a fumar nos corredores. As árvores cobertas de geada aparecem de relance atrás das janelas. A descrição dos sonhos dos passageiros cria um soundtrack para a noite. O premiado filme “Entre Sonhos” é uma descrição frágil do limbo entre o sono e o estar acordado. De manhã, quando o comboio pára na estação, alguns dos sonhos tornam-se realidade.

O Vapor da Vida (Miesten vuoro)
Realização: Joonas Berghäll & Mika Hotakainen, 81 min, Finlândia, 2010, DVD
Argumento: Joonas Berghäll & Mika Hotakainen
Fotografia: Heikki Färm & Jani Kumpulainen
Montagem: Timo Peltola
Som: Christian Christensen
Produção: Joonas Berghäll

Afinal, o homem finlandês chora, tal como podemos ver no “Vapor da Vida”, o filme inaugural do festival DocPoint. Trata-se de um corte transversal – uma série de histórias diferentes, mas no fundo semelhantes, sobre as coisas mais importantes da vida, suas tragédias e até algumas alegrias. Destaca-se a importância da família nas histórias recolhidas nos vários cantos da Finlândia. Perder os seus próximos, de uma maneira ou outra, é o pior que pode acontecer a um homem. A sauna aparece no papel de um catalisador que faz um homem abrir-se a um outro homem. O corpo e a alma purificam-se ao mesmo tempo. Rituais como vihtominen (o hábito de bater-se com ramos de bétula), o beber de cerveja e löylynheitto (o deitar de água em cima de um “fogão” coberto por pedras quentíssimas) criam um ambiente que permite partilhar as desgraças privadas. As amplas imagens da natureza fundem-se com naturalidade às paisagens mentais dos narradores. O Vapor da Vida apresenta o grito de socorro do homem finlandês, mas ao mesmo tempo uma descarga cheia de esperança, um caminho de saída da solidão e da introversão. Enquanto há um ouvinte, há esperança.

De 15 a 17 de Março de 2012, sempre às 19h00
Local: Auditório do Goethe-Institut em Lisboa (Campo dos Mártires da Pátria, nº 37, junto à Embaixada da Alemanha)
Cinema finlandês com legendas em português   –   Entrada livre   –   Tervetuloa! / Välkommen! / Bem-vindos!
Tel. (+351) 218824510;   e-mail \n info@lissabon.goethe.org ;   Web www.goethe.de/lisboa  &  www.madrid.fi

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